Lisboa mudou. Quem foi há dez anos e voltou agora vai reconhecer a cidade, mas vai estranhar os preços. A gentrificação acelerada dos últimos anos, impulsionada pelo turismo e pelos nômades digitais, transformou bairros inteiros e empurrou os restaurantes tradicionais para as margens. Mas Lisboa ainda tem comida extraordinária — só que agora você precisa procurar um pouco mais.

Onde não ir

A Alfama turística está cheia de restaurantes com cardápios em seis idiomas e preços que fariam corar qualquer lisboeta. O bacalhau que você vai comer ali não é ruim — é apenas caro e genérico. O mesmo vale para a maioria dos restaurantes na Praça do Comércio e arredores. Evite os lugares com fotos no cardápio e preste atenção em quem está sentado nas mesas.

Onde ir

O Mercado de Campo de Ourique é uma das melhores opções para comer bem sem gastar muito — um mercado de bairro real, com bancas de produtos frescos e restaurantes frequentados por moradores. O bairro de Mouraria ainda mantém autenticidade, com alguns dos melhores restaurantes de cozinha portuguesa tradicional da cidade.

O que comer obrigatoriamente

Bacalhau à Brás ou bacalhau com natas — preparações que mostram o que a cozinha portuguesa faz de melhor. Pastéis de nata na Fábrica de Pastéis de Belém, a original. Bifanas — sanduíches de carne de porco marinada, o lanche de rua lisboeta por excelência, baratos e completamente ignorados pelos guias turísticos. E vinho: Portugal tem uma das melhores relações qualidade-preço do mundo.

SW

Sofia Wanderley

Viajante compulsiva e escritora gastronômica. Já comeu em 47 países e ainda prefere o pastel de feira.

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